quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Alegria de primavera


Do céu azul à brisa que bate no rosto;
Das roupas mais frescas;
Das temperaturas mais elevadas;
Do amor que transborda no peito dos enamorados;
Dos meus espirros intermináveis;
Das flores que desabrocham, colorindo a cidade;
Dos dias mais longos;
Da saudade daquele sorriso que enternece meus dias...

Assim, setembro se despede com gostinho de início de primavera.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

De volta!

Voltando de viagem, horas e horas de voo...

1ª hora: Repasso cada momento vivido nesses 31 dias em terras espanholas. Quanto vi, vivi, aprendi, conheci pessoas e lugares... Sou uma pessoa completamente diferente daquela que chegava a um mês atrás. Mudei muito, e pra melhor. O coração aperta ao lembrar do que deixei na Espanha, ao mesmo tempo se abre para o futuro e para o que virá.

2ª hora: Almoço! E claro, 'la siesta'. Ora, ainda estamos em ritmo espanhol.

3ª hora: Acordei e vi que passava um filme, meio água com açúcar pro meu gosto, mas pelo menos treinei mais um pouco meu espanhol.

4ª hora: Comecei a ler um livro novo que comprei um dia antes, em Madrid, de uma escritora de Valência. Muito divertido!

5º hora: Começa a passar "Karatê Kid". Pelo que notei, a grande maioria das pessoas no avião acoradaram para ver o filme.

6ª hora: Levanto um pouco pra me espichar, caminhar, alongar o corpo e aproveito para ir ao banheiro. Já estamos sobrevoando o Atlântico. Viagem longa!

7ª hora: Termino de ver o filme, leio mais um pouco o livro, tento dormir mas não consigo me acomodar... Levanto, caminho, sento novamente... ¡Aburrimiento! 

8ª hora: Servem a janta. Aceito um café que mais parece um 'chafé'. ¡Vale! Esperar um bom café em um avião é pedir demais.

9ª hora: Meu pescoço dói. Faço um pouco de alongamento. Sorte ter comprado um travesseiro especial de viagens no Freeshop de Madrid, porque a ida foi tensa, literalmente falando. Massageando e alongando meu pescoço lembro da cena lamentável (e agora, engraçada) do hospital na semana anterior. Para carimbar minha viagem, eu tinha que parar em um hospital...

10ª hora: Escrevo no meu caderno de notas alguns apontamentos da viagem e reflexões e me emociono com as lembranças que passam por minha mente, as pessoas que conheci nessa viagem que foram tão especiais e talvez eu nunca mais as veja pessoalmente. Loucura isso!

11ª hora: Depois do avião dar voltas e voltas no céu esperando a chuva de granizo passar em Guarulhos, aterrissamos. Cheguei na metade do caminho. Mais algumas horas no aeroporto, uma conexão e chego ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, finalmente.

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Assim, volto à 'vida real' com muitas ideias novas e objetivos, um jeito melhor e mais positivo de encarar os problemas, muita disposição e alegria.

Tive alguns contratempos até chegar ao destino final. Agora está tudo bem - ou, como falam na Espanha, 'no pasa nada' - e aqui estou outra vez, nova em folha e pronta para o que a vida me reserva logo mais.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

E na Espanha, eu me apaixonei...

Sim, me apaixonei!

Me apaixonei pelas cidades e lugares que visitei, pelas pessoas que conheci, pelo 'castellano', pelos sabores das comidas que experimentei, pelos cafés, pelas 'cañas' e outras bebidas espanholas, pelas 'fiestas', pelas lojas e feiras, pela alegria do povo espanhol...

Me apaixonei pela bela cidade de Salamanca, pela Plaza Mayor e seus arredores, pela minha família 'emprestada' que me deu alojamento e conforto, pelo pessoal da escola (colegas e professores), pelo clima da cidade...

Me apaixonei por Aveiro, em Portugal, seu porto, sua praia, suas casinhas que parecem de bonecas; por Segovia y Avila, cidades pequenas, porém muito bonitas. Me apaixonei pelo castelo de Isabel de Castilla (foi como viajar até a época medieval - sensação maravilhosa); me apaixonei por Toledo, cidade pequeníssima mas encantadora e charmosa com suas ruas estreitas e seus prédios de uma arquitetura minuciosa...

Me apaixonei por Madrid, 'la capital española', enorme mas nem por isso menos atraente que as outras. Me apaixonei por cada canto de Madrid, a prefeitura, a 'Plaza Mayor' (mas a de Salamanca é a campeã em beleza e encanto), a 'puerta del sol', o 'Parque del Retiro'... Tudo maravilhoso! ¡Todo me encantó!

Me apaixonei por cada parte, cada momento, cada dia dessa viagem.

Me apaixonei principalmente por mim mesma. Me descobri capaz de coisas que nem imaginava e com ideias para construir um futuro promissor.

Nesses 31 dias de viagem, estou cada vez mais apaixonada pela vida.

Volto pra casa muito feliz; e já pensando em qual será meu próximo destino.

Status: Feliz

Último dia na Espanha.

Hoje, passeando pelas ruas de Madrid, senti uma paz que a tempos não havia sentido. Uma leveza de espírito, uma felicidade plena; uma sensação de liberdade e independência únicas.

De coração tranquilo, volto para casa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Despedida (2)


E então, me despeço de Salamanca.

Passou tão rápido... E foi tão bom!

Uma cidade que me acolheu desde o primeiro dia, como se eu vivesse ali desde sempre. A casa onde eu vivi, a família que me acolheu como se eu fosse integrante dela; a escola, os professores e colegas, os amigos; as pessoas que conheci e tive um carinho tão grande como se fossemos já grandes amigos (chato pensar que a grande maioria nunca mais verei pessoalmente); as comidas e bebidas que provei; as festas; os passeios e excursões; as compras (muitas!), as paisagens belíssimas; a arquitetura fantástica...

Vivi grandes emoções, aprendi muito. Que dias maravilhosos passei!

Salamanca, ¡Te quiero mucho!

sábado, 18 de setembro de 2010

Despedida (1)


Se me fosse concedido um pedido agora, queria mais uma semana em Salamanca.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

En la clase de español (3)

Esses dias, na aula de espanhol, tivemos que falar sobre um escritor do nosso país (sabendo que há gente do mundo todo na turma, houve uma diversidade de nomes literários).
Eu como boa gaúcha e amante de poesia, não poderia ter deixado de citar Mario Quintana, com suas poesias simples e cheias de ironia.
Em meio às pesquisas, me deparei com um poema que gosto muito, mas havia esquecido. Um poema que tempos atrás era um dos que mais falava por mim...

Aí vai ele:

Do amoroso esquecimento

"Eu agora - Que desfecho -
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?!"

Esquecimento é algo extremamente complexo para um ser humano, exceto  para os que sofrem de amnésia ou alzheimer.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Começar de novo


Um ano atrás houve um beijo, uma despedida, um fim.
Um ponto final em uma história que parecia nunca terminar.

Mas terminou!
Num beijo; o último beijo.

Porém, depois do último, sempre vem um novo beijo;
O primeiro, de tantos primeiros beijos trocados na vida.
De um novo amor, uma nova paixão...
Não vejo a hora de começar tudo outra vez!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

En la clase de español (2)

"[...]Amo o amor que se reparte
en besos, leche y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va."

(Pablo Neruda)

En la clase de español (1)

"Érase una vez
un lobito bueno
al que maltrataban
todos los corderos.
Y había también
un príncipe malo,
una bruja hermosa
y un pirata honrado.
Todas esas cosas
había una vez.
Cuando yo soñava
un mundo al revés."

(José Agustín Goytisolo - poeta español)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

La vida puede que no se ponga mucho mejor que esto

Cidade de Toledo, Espanha

"Claro que lo sé,
Lo tengo más que claro.
Los días raros son muchos
Y los días buenos, raros.

Duró la efímera rosa
Lo que duran los suspiros
Lo que una mariposa dura
Fuera del retiro.

Y aunque no haya una razón,
Todos a sus puestos,
La vida puede que no
Se ponga mucho mejor que esto.

Por una vez que no duele,
Todo el mundo a bordo
Que la pena cante hoy
En oídos sordos.

Claro que también,
Melancolía manda
Con su pluma minuciosa,
Deshace afanosa lo que uno anda.

Dejemos que esa nostalgia
Nos bese la cara seca,
Como el sol de los domingos
Besa la plaza de Chueca.

Y aunque no haya una razón,
Todos a sus puestos,
La vida puede que no
Se ponga mucho mejor que esto.

Por una vez que no duele
Todo el mundo a bordo,
Que la pena cante hoy
En oídos sordos.
Que la pena cante hoy
En oídos sordos."


(Jorge Drexler)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Necessária solidão

Viajando sozinha vejo que a solidão não é algo ruim como parecia ser. Pelo contrário, é nela que encontro uma grande aliada para enfrentar meus medos e inseguranças; faço dela uma companhia muito agradável nas horas que não tenho alguém por perto e, graças a ela posso me descobrir mais corajosa para enfrentar a vida e mais independente também.
Podemos chamar isso de "solidão necessária". Algo que precisamos vivenciar e sentir de vez em quando para nosso autoconhecimento e espiritualidade. Isso faz um bem enorme pra alma! Faz bem pra vida, faz bem pra nós mesmos.

E que bom ter a sensação de liberdade nessa solidão amiga!

"Vou adiante como posso, liberdade é do que gosto..."
(Paula Toller)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pessoas

Nesses dias caminhando pelas ruas de Salamanca, vi inúmeras pessoas (na real, na viagem toda até aqui a quantidade de pessoas que ando vendo é enorme; que mundo gigante vivemos) e aqui todas são muito simpáticas, bom atendimento na maioria dos restaurantes, cumprimentam aonde passamos, nas lojas, na escola e onde for, respondem com muita educação quando pedimos qualquer informação na rua e, puxam assuntos com desconhecidos. Que dizer, nem todos são as assim, mas as senhoras de idade posso dizer que são.

Em apenas uma semana duas senhoras vieram conversar comigo na rua. A primeira, com 90 anos, numa das mesas da Plaza Mayor, veio conversando assim do nada. Comentou das raspadinhas que havia comprado e mais uma vez não tinha ganhado; do médico que proibiu ela de fazer muito esforço por causa do coração; da família, dos filhos e mais um monte de coisas que não entendi muito bem porque falava muito depressa. Uns dois dias depois, em um banco numa pracinha, eu estava sentada esperando um amigo quando outra senhora veio pedir licença para sentar-se ao meu lado. Tinha oitenta e poucos anos, também falava muito depressa e não entendi algumas coisas do que dizia. Perguntou da onde eu era e não acreditou na minha idade (deve ter imaginado que eu tinha uns 15, 20 anos, pois se preocupou muito por eu estar sozinha em outro país). Ambas falaram  comigo como se eu fosse da família delas, muito íntimas.

As duas senhoras foram muito amáveis, simpáticas. Sem receio de falar com estranhos. Os espanhóis são assim, abertos, sociáveis (pelo menos a grande maioria). Não é a toa que brasileiros se adaptam muito bem por aqui.

Alguns dias atrás, me chamou a atenção também que algumas crianças me olham e sorriem. Não sei o motivo, nem sei se há algum. De qualquer forma, adoro as crianças e o sorriso delas me deixa ainda mais alegre.

Gosto dessa troca de ideias, de diálogos, de receber um sorriso de uma criança. Esses momentos deixam minha viagem mais colorida (e um tanto divertida também).

Coisas que acontecem

Gafes, micos são inevitáveis em qualquer viagem. Mesmo tendo o maior cuidado para não cometê-las, às vezes elas acontecem. Especialmente se estamos em um país que fala uma língua diferente da nossa. Sempre há alguém que fala ou faz algo errado, e que no entanto se torna muito engraçado ao contá-lo depois (apesar da vergonha momentânea). Aconteceu algo engraçado comigo aqui na Espanha. Ou quase aconteceu, digamos assim.

Estou muito acostumada em dizer, em português, "Que calor! "Está muito quente hoje" e no espanhol traduzi ao 'pé da letra' e ficou: "Está muy caliente hoy". Por sorte falei isso para pessoas que não notaram a diferença, por provavelmente não saberem que estava errado ou não terem prestado atenção. Até que um dia eu falei na aula algo semelhante e a professora corrigiu o erro dizendo que não podemos usar 'caliente' dessa forma, mas só para comidas e coisas. Porque dizer "está muy caliente" quer dizer 'querer sexo'. Sim, isso mesmo. Seria engraçado eu falar a algum rapaz espanhol isso, obviamente querendo dizer que estou com calor, mas sem saber o real significado (na real, seria trágico-cômico), mas graças a minha professora, agora sei como devo falar corretamente. Santa professora!

As palavras pregam peças. Em outro idioma então, nem se fala.

Caminando en España...

Salamanca, España
Já se passaram duas semanas - muito rápido por sinal - e ando aproveitando tudo que consigo ao máximo. Praticando meu espanhol, conhecendo lugares novos (e lindos), caminhando muito por aqui e ali, conhecendo cada cantinho dessa cidade nova que para mim já está sendo muito familiar, me conhecendo melhor, curtindo minha própria companhia e  a liberdade que a solidão propicia (com isso vejo que sou muito mais destemida  do que poderia imaginar), provando e degustando a culinária local, novos sabores, novas bebidas... Nova vida!

Hoje um grupo de pessoas se despediu da escola indo alguns para seus respectivos países, outros para outra cidade da Espanha. Essa parte é a mais triste por causa  da despedida (nem quero pensar na minha, pra não sofrer por antecipação), por sabermos que depois dificilmente nos veremos, talvez nos falaremos pela internet mantendo algum contado. Para compensar, segunda chegam novas pessoas, e assim novos amigos surgem.

Estou cada vez mais feliz nesses dias todos, com uma leve saudade do Brasil e das pessoas que ficaram, e muito agradecida por estar onde estou. Respirar o ar europeu anda me fazendo um bem enorme (às vezes necessitamos buscar novos "ares"). Porém sinto que algo falta acontecer nessa viagem para sentir-me completa. Ainda não sei bem o que. É um sentimento que anda aparecendo de vez em quando. Pois que aconteça e eu saiba reconhecê-lo. E que me traga satisfação como tudo por aqui.

Que venham então as próximas semanas, cheias de passeios, caminhadas (graças a ela estou mantendo-me no mesmo peso sem engordar), aventuras, novos amigos sempre, 'mucho español' para falar, escutar, estudar, cantar e dançar...

¡Hasta luego!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Intercâmbio cultural

Salamanca, Espanha
O mundo é realmente fantástico! E sobre muitos aspectos. Diversidade, cultura, diferença no fuso horário, idiomas de todo tipo. O mais legal é quando juntamos tudo isso em um grupo de pessoas. Quanto conhecemos e aprendemos! Creio que levarei para casa, no término da minha viagem, uma carga enorme de novidades e cultura... E de novos amigos também. Só espero não me cobrarem por excesso de bagagem.