quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Paz interior


Entre ruas movimentadas, pessoas apressadas, carros passando acelerados com seus motoristas estressados, gente atrasada para chegar em algum lugar, conversas, preocupações, ela passeava pela multidão numa solidão necessária.

Colocou os fones nos ouvidos e numa música leve e alegre entrou em um mundo só dela. Um lugar tranquilo! Sorria para os que passavam, tantos rostos desconhecidos. Admirava as poucas árvores que ainda restavam naquela selva de pedra que se tornou sua cidade. Analisou tudo o que havia vivido até ali. Tantas dificuldades, perdas, desilusões... Concluiu que os problemas se tornam pequenos quando se olha a vida com outros olhos e talvez assim mais fáceis de serem resolvidos. A vida sem problemas não teria graça.

Aquela dor no peito que a incomodava por tanto tempo enfim aliviara. Já conseguia respirar melhor! E entre a correria das pessoas, ela caminhava sossegada, desviando de cada um que passava, em paz consigo mesma. Naquele dia lindo de sol e um céu azul perfeito, ela só pensava em uma coisa: "ser feliz", e nada mais.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Depoimento de um sobrevivente

Minha vida poderia ter sido um tanto normal, monótona mais precisamente, se não fosse por um certo acontecimento que a modificou completamente. Mas um pouco de adrenalina não faz mal à ninguém. Digo isso hoje que já estou muito bem e recuperado do susto, mas na época a situação deu medo. Se peixe morresse do coração, eu já tinha ido para o beleléu.

Para contar a história, voltarei um pouco mais no passado. Lembro de um dia realmente feliz em minha vida. Talvez o mais feliz de todos! Estava em meu aquário, nadando faceiro quando avistei algum daqueles seres gigantescos me olhando por entre o vidro. Cheguei a me assustar mas, reparando melhor, esse não era tão grande assim. Talvez fosse um dos filhotes da espécie. E notei que ele me apontava e gritava algo a uma pessoa próxima (depois entendi ser sua mãe). De repente uma rede entrou no copo e, num susto tentei desviarme, mas foi em vão. Esta me pegou e jogou-me numa espécie de aquário de plástico. Revoltado por terem me tirado da minha casa sem mais nem menos, um pouco zonzo pelo ocorrido também, deparei-me novamente com aquela mesma carinha que antes me olhava no vidro. Agora meio contorcida pelo plástico, mesmo assim puder ver um sorriso nela. Um sorriso singelo, o que me confortou! E assim ganhei um novo lar!

Minha nova casa era um ambiente gostoso de morar. Haviam apenas duas pessoas nela: um menino - aquela do sorriso - e sua mãe. Mais tarde vi mais alguém que andava por ali, que depois descobri ser a empregada da casa. E ainda ganhei um nome simpático: Bob Peixe!

Nas manhãs, meu dono acordava e ia direto me dar 'bom dia' e alimentar-me. Era divertido e acolhedor! Entre uma comida e outra, sentia seu dedo em minha cabeça como um cafuné. Assim os dias foram passando numa rotina agradável.

Então chegou o dia que tudo mudou! A rotina foi a primeira. Descobri que a mãe do meu dono ia viajar e ele ia ficar em uma outra casa. Como eu não poderia ficar sozinho por tantos dias (ainda bem que lembraram de mim) também fui passar uns dias fora.

O novo lugar era bastante hospitaleiro. Viviam três pessoas ali. Me colocaram em um ambiente bem claro, arejado. Bastante movimentado até. Gostei! De uma lado tinha uma máquina estranha, que saia fogo de uns buraquinhos. Fantástico! Do outro, hora ou outra, alguém puxava uma espécie de alavanca e caia muita água dentro de um buraco. Muito legal! E tudo corria bem até chegar a vez que cruzei com a morte cara-a-cara!

Era uma segunda-feira (conto os dias de acordo com a rotina dos moradores da casa)! Durante a manhã foi tudo tranqüilo como de costume. Foi após o meio-dia que tudo começou. Uma das moradoras (que inclusive é dona desse blog e me deixou dar meu depoimento sobre o fato - talvez dor na consciência) foi pegar alguma coisa numa prateleira que ficava acima da minha cabeça. Eu, meio sonolento ainda, dei uma circulada pelo aquário para mexer um pouco minhas nadadeiras depois do cochilo pós-almoço que havia feito. De repente vi estrelas cadentes, tudo se desfigurou junto a um barulho ensurdecedor. Não só me acordei instantaneamente, como quase morri! Água, necessitava de água! Meu aquário tinha virado caquinhos, eu agonizando, tentando buscar ajuda... Certo, me arrumaram uma nova casa. Um pouco estranha, mas lá havia água. Ufa! Assim pude respirar de novo!

Mas aquele lugar estava estranho, um pouco desconfortável, não sei dizer direito. Se tivesse músculos, naquele momento eles estariam completamente enrijecidos e tensos. Que dia! Que susto! E ali nadei um pouco pra tentar me ambientar, entender o que tinha acontecido. Umas horas depois, a Ane apareceu com um aquário novo. Era legal meu novo lar, maior, mesmo assim, eu estava profundamente bravo com ela! Magoado por ter quebrado minha velha casa e, mais ainda por quase me matar. Sei que, segundo ela, foi sem querer mas, como poderia rir em uma situação daquelas? Estava de mau-humor e me enraivecia dela ir a todo momento ver se eu estava bem. Depois de tudo o que passei, EU NÃO ESTAVA BEM. Estava transtornado, machucado (não fisicamente, mas emocionalmente). Sim, estava estressado e queria ficar só! Creio que até febre me deu naquela noite, mal consegui dormir e, nos próximos dias a fome não veio. Fora que aquela água era muito esquisita, não me sentia bem nela.

Hoje vejo que a Ane fez de tudo para eu não morrer (como disse, quem sabe seja apenas consciência pesada), mesmo assim, por todo o susto dos dois (sei que ela também levou um baita susto) me afeiçoei a ela. Sempre vinha me dizer 'bom dia', conversar comigo... gostava disso! Na época em que eu estava ruim e ela me levava à Pet, fiquei com medo dela me deixar por lá e substituir-me por outro, mas isso não ocorreu. E no seu olhar vi um toque de carinho, o que fez eu confiar nela, apesar de tudo.

Por isso que a desculpo por esse incidente. Podia estar morto, no mar espiritual junto aos meus entes queridos que já partiram, mas ainda não foi dessa vez. E há males que vêm para o bem! Já voltei para minha casa mas, de vez em quando ela vêm me visitar. Fico muito feliz e não paro um minuto dentro do aquário quando a vejo. As pessoas se apegam aos bichos, mas os bichos também se apegam às pessoas. Só fiquei triste por uma coisa que descobri nesses últimos tempos: o prato preferido da Ane é sushi!! Humpf, ninguém é perfeito!

Bob Peixe

Post "Um pequeno incidente"  - (Onde tudo começou!)

sábado, 15 de novembro de 2008

Exigências nem tão exigentes assim

Alguns dias atrás estava com umas amigas em um bar conversando e, entre um papo e outro veio o assunto de homens (lógico). Elas começaram a dizer o que preferiam neles e o que não gostavam. Eu estava de corpo presente mas com a cabeça em outro lugar, como sempre, até que uma delas me perguntou qual era minha preferência masculina. Meio no susto, respondi num ímpeto que tanto fazia. Juro que foi sem pensar! Elas começaram a rir. Eu na hora não entendi muito bem porque havia falado aquilo e porque riam.

No dia seguinte, analisei melhor o ocorrido e vi que minha resposta estava absolutamente certa. Sim, eu respondi que tanto fazia e é isso mesmo! Porque tanto faz se o cara é branco ou negro, se é rico ou pobre, se é mais velho ou mais novo que eu, e continuo a concordar comigo. Não significa que eu esteja desesperada e pegue o primeiro que aparecer. Tipo, "Tanto faz, o que vier está bom!" Longe disso! Na verdade, eu quis dizer que não importa os supérfluos. Sendo legal, gostando de mim e me tratando bem já ganhei na loteria!

Achei que estava extremamente rigorosa quanto aos requisitos de um homem 'ideal' para mim, mas estes que citei anteriormente até que não são tão difíceis de conseguir. Ou são?

Talvez eu esteja amadurecendo, aprendendo enfim, com certas coisas dessa vida. Agora, se eu vou encontrar um tipo desses que me agrade, bom aí é questão de tempo (e sorte).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Estou melhor

 
Sim, você se foi! E por incrível que pareça não chorei com sua ausência. As ligações pararam, aquele olhar acolhedor foi embora para sempre, aqueles beijos enternecedores e aquele abraço carinhoso já viraram passado, mas por algum motivo, não estou triste.

Naquele dia que nos falamos foi tudo tão estranho, você tão alheio a nós. Depois do beijo (o último, sim) parece que meu mundo desmoronou. Uma nuvem negra cobriu-me e imaginei que nunca mais sorriria. Mas agora vejo que a tempestade que viria não chegou, e então o céu se abriu num azul suave.

Nunca pensei que viveria sem você ao meu lado mas, hoje sei que isso pode acontecer. Quer dizer, já está acontecendo e eu estou muito bem, obrigada!

E NÓS já não existe mais. Agora sou EU e VOCÊ! Livres para seguir cada qual seu caminho. Nossa história? Esta ficará guardada na lembrança (na minha e, creio que na sua também), mas principalmente no meu coração. Eternamente! Porque apesar de tudo, o que sentimos um pelo outro é imutável.

Hoje estou melhor, muito mais do que esperava, e desejo que você se sinta assim também!

♫  "...Por quantas vezes eu tentei te esquecer mas eu não sei o que aconteceu comigo, agora vai!
E hoje estou melhor, estou muito melhor.
Muito mais do que pensei que um dia fosse estar!"
(Reação em Cadeia)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Uma explicação para o inexplicável

Sabe quando, de repente, uma lembrança transpassa pela mente, o coração aperta, lágrimas escorrem pelo rosto? Sensação estranha de explicar. Mas é a saudade que veio dar um "oi". Não é uma emoção ruim, apesar de ficar um pouco triste. Na verdade, a morte que é algo estranho de definir.

Como pode alguém ir embora num ímpeto, às vezes surpreendendo a todos, deixando tanta coisa pela metade? E às vezes de uma forma tão triste e sofrida... Há quem diga que é coisa do destino e que estava na hora da pessoa partir. Mas que hora mais besta! Porque não morrer aos 90, 100 anos, depois de já ter vivido o bastante e feito tudo o que manda o 'script', dormindo tranqüilamente e num suspiro se deixar levar? Tem certas coisas que é difícil de entender, de encaixar as peças desse jogo tão tempestuoso que é vida. Ou a morte! Precisava de alguma teoria concreta que faça eu aceitar certas situações. Talvez eu receba as respostas para as minhas dúvidas quando chegar a minha "hora" de partir deste mundo, mas creio que as terei tarde demais. Gostaria de obtê-las estando aqui (talvez num sonho, por quê não?), para quem sabe, eu consiga viver um pouco melhor, diminuindo a dor desse afastamento sem sentido.

Sei que um dia nos encontraremos em algum outro lugar, e com certeza melhor que este. Então tudo ficará bem! Enquanto isso, a saudade permanecerá mais intensa do que nunca, mas as dúvidas continuarão me atormentando.

"Cedo ou tarde a gente vai se encontrar!
Tenho certeza numa bem melhor.
Sei que quando canto você pode me escutar!"
(NX ZERO)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Já vai passar

Hoje acordei triste. Daquelas tristezas sem motivo (pelo menos não aparente), talvez inconsciente. Eu não sei. Mas por favor, não se preocupe, logo ela vai embora. Logo tudo isso terminará. Sei que você gosta de mim e se preocupa com o meu bem-estar. Quer me ver sorrindo e feliz, mas nem sempre podemos estar assim. Isso é normal. Sou um ser-humano cheio de sentimentos e emoções. Tenho meus altos e baixos. E hoje estou nos meus baixos. Você poderá dizer para eu sair, ir dançar, ouvir uma música animada, ir ao shopping, passear no parque. Ok, muito obrigada. Fico grata pela sua ajuda e gosto muito de fazer todas essas coisas mas, hoje não! Hoje quero ficar sozinha no meu quarto. Sim, eu sei que há pessoas no mundo com muito mais problemas que eu, passando fome e frio, sem família, sem roupas, sem amor. Sei que minha vida é boa, concordo contigo e mais: adoro ela! Mesmo assim, a tristeza bate, assim como do nada, a alegria vêm sem causa nenhuma. Aquela moça que você vê sempre sorrindo, contando piadas e rindo de tudo, também tem seus momentos de melancolia. Sorrir é bom, mas chorar também é. Alivia o peito, conforta a alma, libera a angústia. Me deixa chorar, quem sabe amanhã já estarei gargalhando por aí. Me permita ser triste por alguns minutos, isso não me fará mal. Não, não estou deprimida e nem tenho transtorno bipolar. Tampouco preciso de um psiquiatra. Longe disso! Tristeza é um sentimento, não uma doença. E ela vai passar. Tenha paciência. Ela vai passar. 

"Tua tristeza é tão exata...
E hoje em dia é tão bonito!
Já estamos acostumados
a não termos mais nem isso!" 
(Legião Urbana)

domingo, 2 de novembro de 2008

iYo quiero fugir para México!

Nesses últimos dias ando com uma vontade louca de largar tudo e ir para o México. Mas porque o México? Não sei exatamente o motivo. Talvez alguma força me empurre pra lá, talvez meu futuro esteja naquele lugar. Sim, um futuro chamado Miguel, por que não? Mas ele não será meu grande amor, aquele que casarei, terei filhos e viverei feliz para sempre. Bom, a parte dos filhos até pode ser, porém terei apenas um com ele. o Eduardo, meu primogênito. Fruto de uma paixão avassaladora, tequila e uma camisinha velha (!). Só que descobrirei a gravidez quando já estiver no Brasil. E por certos motivos da vida, não ficaremos juntos, mas Eduardo sempre terá notícias do pai.
Mais adiante, quando Du já tiver uns dois anos, irei à Europa fazer um curso de barista e, lá conhecerei um italiano chamado Marcello (ironia do destino), contudo esse não será apenas uma paixão, mas algo maior. Sentimento parecido com outro tido anteriormente. Linda história de amor! E dela, será concebida Sofia. Ficarei um mês fora, desfrutando de cada momento ao seu lado, mas sem perceber que mais alguém estava para chegar. No mês seguinte, no Brasil, é que descubro da existência da irmãzinha de Eduardo. Depois de contar a novidade à Marcello, ele vêm ao Brasil. Vamos morar algum tempo juntos, todavia, no decorrer dos dias, a incompatibilidade de gênios acabará atrapalhando nossa relação e assim, resolveremos terminar. Mas amigos ficaremos para sempre.
Anos mais tarde, eu, Du e Sofia nos mudaremos para Florianópolis (ele já com 5 anos e ela com 2), onde abrirei meu tão sonhado café filosófico. Será um sucesso! E, entre tantos clientes, aparecerá em um dia qualquer, Rodrigo (enfim um brasileiro). Muito bonito, extremamente educado e simpático. Por alguma razão, terei a impressão, só de olhá-lo, que minha vida mudaria dali em diante. E assim, seria. Na verdade eu apenas buscava um sócio para meu negócio, mas acabaria arrumando um companheiro. Que também viraria um ótimo pai, não só de Eduardo e Sofia, mas também de Isabela, a filha que dele gerarei. E assim, seríamos uma famíla feliz! De tempos em tempos, visitaríamos Miguel e Marcello, assim como eles viriam nos visitar também.

É, talvez seja por isso que tanto quero ir para o México. Quem sabe seja o começo de tudo. Ou talvez seja somente porque o país em questão me fascina, e minha imaginação é muito fértil. Sim, na verdade creio que é isso mesmo.