segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tudo o que precisamos dizer

Terminei de ler a alguns dias o livro "Tudo o que eu queria te dizer" da escritora Martha Medeiros. Muito bom! É um livro de contos estruturado em forma de cartas, revelando os sentimentos de cada personagem. "Perdão, vingança, alívio, um pouco de nós está em cada uma dessas vozes, que expressam através de cartas uma confissão ou o exorcismo de nossos demônios." Leitura agradável. Recomendo!

Analisando o livro como sempre faço com a maioria dos que leio, vejo quanta coisa temos a dizer a tantas pessoas e que por algum motivo nos falta coragem em dizer pessoalmente. Às vezes, escrever é melhor do que falar. E digo em colocar no papel em forma de carta, mesmo estando na era da internet e e-mails, pois é muito mais pessoal. Claro que no falar, podemos demonstrar melhor nossos sentimentos e muitas vezes o alívio é melhor quando dizemos tudo o que queríamos na frente daquele que necessitamos desabafar. Mas e quando falta coragem ou até mesmo, oportunidades para que isso aconteça?

Independente do falar ou escrever, se conseguirmos passar o que sentimos para a devida pessoa, é isso o que importa. Guardar sentimentos só para si é umas das piores coisas que nosso espírito possa sentir.

sábado, 17 de abril de 2010

Num conflito interno


Ano passado, sem eu perceber, devagarinho ia nascendo uma nova pessoa dentro de mim. Na realidade, era mais uma espécie de libertação que eu estava vivendo. Ficava enfim, livre de um relacionamento longo e confuso e isso fez eu ver a vida de forma diferente.

O curioso é que, por causa dessa mudança inconsciente, eu acabei me descobrindo gostando de um outro alguém. Embora tantas confusões na mente (que se pensar bem não seriam necessárias) e alguns outros contratempos que impossibilitaram de viver esse "romance", o novo sentimento que nasceu em mim fez-me um bem enorme.

Hoje sinto-me dividida entre aquela em que foi descoberta e a outra mais antiga. Estou numa espécie de conflito interno. Sei que meu novo "eu" é muito mais divertido, alegre, solto e espirituoso. Mas sei que o antigo tem algumas qualidades, apesar de nos últimos tempos estar desiludido e desanimado.

Encontro-me assim, em uma fase de descobertas, de autoconhecimento, de introspecção...  Penso, reflito, analiso, mas difícil sair conclusões. Como diria Calvin em uma de suas tiras: "Eu gostava mais das coisas quando eu não as entendia!". Parece que no momento em que entendi o que se passava comigo, foi que me senti mais confusa e desorientada. Cabe a mim agora orientar-me, achar-me. Talvez me torne uma terceira pessoa, misto dos outros dois "eus", antigo e novo, só não posso me deixar esquecer.

domingo, 11 de abril de 2010

À espera...

"- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração..."

(Trecho extraído do livro "O Pequeno Príncipe")

Típico livro infantil para qualquer idade. Para a criança que existe dentro de nós (e todos temos uma guardada no coração). O trecho acima é uma das muitas mensagens que o autor nos ensina e a que mais condiz com o meu momento atual.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Feliz Aniversário

Mais um ano de vida. Entrada em um novo ciclo. Adoro fazer aniversário e esse ano não foi diferente! Acho que a data do nosso nascimento representa muito para nossa existência e faz um bem enorme nos resguardarmos e meditarmos um pouco sobre nossos valores, analisarmos calmamente o que foi vivenciado nessa trajetória e traçar objetivos para novas etapas. Também é uma boa hora para nos desligarmos das coisas que passaram e que por algum motivo não são mais importantes para nós como uma vez elas já foram. Encerrar fases da vida e iniciar outras é uma das maneiras de nos libertarmos do que nos faz mal e de aprender com o que a vida nos mostra.

E cá estou, no meio de tantas mudanças, iniciando mais um período na minha vida e confiante para os novos desafios e surpresas que virão.

Felicidades pra mim... E sorte.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ciclo novo, vida nova

Caminhava pelo centro da cidade, passos rápidos, cabeça baixa, fones nos ouvidos... Em sua mente passavam situações vivenciadas nesse último ano. Ela completava não só mais um ano de idade, mas um ciclo em sua vida. Estava diferente, no físico, mas principalmente no seu interior. Mudara, amadurecera...
Num certo instante, uma música começou a tocar em seu mp3 e ela relacionou-a muito com o que havia passado nessa trajetória. Fez ela pensar, especialmente no refrão que dizia: "Eu perdi o meu medo, o meu medo, o meu medo da chuva... Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar. Aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida..."  - Ah, Raulzito e suas letras! - Pois era isso, depois de tanto tempo, tantos anos presa a um relacionamento sem futuro, a um sentimento sem lógica ela enfim perdeu o medo (não da chuva, claro) mas de amar, de se envolver, de redescobrir como é bom 'gostar de alguém', de se tornar livre para novas emoções que a vida lhe oferece. Ela já havia percebido isso a algum tempo, mas não na intensidade da situação. Isso a deixou feliz e orgulhosa de si mesma por tal feito ter sido finalmente alcançado.
Assim, ela seguia rumo a mais um ano de sua existência, confiante para os novos desafios que o destino lhe traria.