segunda-feira, 28 de julho de 2008

Silêncio

Estava em casa. Era uma sexta-feira a tarde. Tinha feito tantas coisas naquela semana: estudos, trabalho, correria com horários, estresse, trânsito... Naquele momento eu só pensava em relaxar. Fechei as janelas para abafar o som dos carros na rua, liguei o rádio mas logo desliguei-o, era de silêncio que eu precisava.
E como era gostoso "escutar" o silêncio. Aquela sensação de paz e tranquilidade que ele transmitia. Pensamentos surgiam em minha mente, mas logo os afastava. Queria conversar, questionar, ouvir o silêncio e tudo o que ele tinha para me dizer. Ouvia-o, sentia-o, cheirava-o... Estava bem acompanhada! Dizem que o silêncio é sinônimo de solidão. Até pode ser, mas nesse caso, era uma solidão necessária. Naquela hora comecei a perceber melhor as coisas ao meu redor, o barulho da torneira no banheiro, o ruído que nunca havia percebido em outras horas, da geladeira lá na cozinha, dos passos do cachorro do vizinho no apartamento de cima, do sino da igreja. Embora este tocar todo dia, de uma em uma hora, nunca havia percebido o quão bonitas eram aquelas badaladas. Parecia ser a primeira vez que eu as escutava. Fechei os olhos, respirei fundo e me deixei levar por essa ausência de som tão intensa e harmônica. Sensação aconchegante! Reflexão da mente, descanso do corpo, paz da alma... Ah, o silêncio!

Às vezes o amor é tão complicado

Era aniversário dele. Não sabia se ligava pelo menos para desejar "Feliz Aniversário". E se, com essa ligação tiver uma recaída? Pensou um pouco e, ligou. O carinho que ela tinha por ele era tanto que valia à pena arriscar. Ele atendeu. Ficou feliz em receber a ligação. Pelo menos foi o que sua voz demonstrava. Queria vê-la. Precisava abraçá-la, beijá-la, tocá-la... Ela disse que não podia, que estava com muitos afazeres e não sabia se teria tempo disponível. Era uma desculpa. E como isso doeu ao dizer a ele. Ela o amava e também queria vê-lo, mas naquela situação em que estavam, não podiam continuar, não podiam se encontrar. Seria pior. Quando isso terminaria, ela não sabia. Queria esquecê-lo mas, ao mesmo tempo, sentia-se muito bem ao lembrar dele e de todas as coisas que passaram juntos, por tanto tempo, tantos anos. Um sonho do qual ela não queria acordar nunca. Gostava do jeito que ele conversava com ela, a pegava no colo, a abraçava... Carinhoso, gentil, atencioso, amigo. Ele tinha todas as características de um homem que ela almejava para si... Mas não podia tê-lo, não daquele jeito. Assim, despediu-se, desejou que ele se cuidasse e disse que se falariam em breve. Porém ela já não tinha mais tanta certeza se esse "breve" chegaria.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Amigos


Fiquei fora uma semana e acabei não postando nada por aqui. Uma semana de folga já deu para esfriar um pouco a cabeça e conhecer lugares novos e "bons ares", literalmente.
Acabei nem falando do dia do amigo que foi ontem.
E que legal ter um dia para homenagear aquela pessoa tão especial nas nossas vidas! Amigo é tudo de bom!

Existem diferentes tipos de amigos: os amigos-irmãos, os amigos-amantes, aquele amigo "macaco gordo", que quebra qualquer galho, amigo parceiro de festas, amigo conselheiro, amigos virtuais (que às vezes são mais reais que os próprios), amigos próximos, amigos que estão longe, mas sempre em nossos pensamentos e corações... Ah, os amigos!

Aos meus, obrigada pela sua amizade.

Deixo um texto de Vinícius de Moraes - "Amigos" em homenagem aos meus e, àqueles que, quem sabe, ainda serão meus amigos, afinal, fazer novas amizades é também muito bom!
Amigos (Vinícius de Moraes)

"Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido...
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Momento único

Sentia-se feliz naquele dia. Aquelas sensações de vazio, carência e tristeza tinham dado uma trégua. As esperanças começavam a renascer em seu peito. A felicidade parecia estar batendo à porta, querendo entrar e ficar. Permanecer ali para sempre! O amor, então esquecido em um canto qualquer de seu coração, voltava cheio de energia. "Quero amar muito, quero viver cada segundo, quero sonhar, quero ser feliz.", dizia. Não sabia até quando poderia continuar sentindo aquela emoção tão gostosa, profunda e envolvente, mas sabia que não queria deixar de sentí-la. Um momento único. Intenso!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Penso demais, logo enlouqueço!

Ultimamente ando pensando demais! Parece engraçado, mas é verdade. Pensamentos de todos os tipos e gêneros passam pela minha cabeça. Memórias antigas se misturam com outras mais recentes, entram em contato com alguns planos que almejo no futuro e... É confusão na certa! Meu cérebro não me dá sossego. Alguém me disse certa vez que de tanto pensar, vai começar a sair fumacinha da minha cabeça. Bem capaz! Mas que atrapalha em certos momentos, isso sim.
Dizem que a meditação ajuda. Ficar prestando atenção no presente, em coisas simples do cotidiano como comer ou escovar os dentes. Tentei, mas não deu certo! Parece que alguém me chama em outra dimensão e lá vou eu "viajar" outra vez.
Penso que isso seja o motivo das minhas enxaquecas: pensar demais!

Minha terapeuta vive fazendo sessões de relaxamento comigo para (tentar) trabalhar a mente. Enquanto ela fala, eu devo me concentrar só em sua voz e na música de fundo. Certo, nos primeiros minutos é tranquilo, até chegar o momento de eu lembrar que preciso passar na farmácia após a consulta, e disso lembro que tenho que marcar consulta com o oftalmo e assim, passo a lembrar que fico horrível de óculos de grau, Deus me livre usar!; aí lembro que minha mãe começou a usar lentes de contato e se adaptou super bem; nisso lembro que ela me pediu, algumas horas atrás, para passar na padaria e, lembro que lá tem um delicioso chocolate quente... Humm, vou tomar depois que sair daqui... AQUI! E então volto ao "presente". Tento voltar a prestar atenção mas já é tarde, nem sei mais do que ela está falando. Termina a consulta e continuo na mesma. Creio que meu problema não tem solução.

Acho que vou trocar de terapeuta.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sem razões para acreditar


Às vezes me sinto perdida, desorientada. Não tenho mais paciência com as pessoas ao meu redor nem tolerância para assuntos banais. Não compreendo essa gente, parece que não pertenço a esse mundo. Tantas pessoas sem educação e respeito, tanta inveja, raiva, rancor. Muita violência. Pessoas morrendo de graça pelas ruas. Medo!
Estou perdendo a razão em existir, em acreditar que ainda possa ser feito um planeta melhor. Não confio mais em religiões e crenças, em políticos muito menos. Onde está a paz nesse mundo? O respeito, a dignidade? Se existir um mundo melhor que esse, quero descobrir o caminho e fugir pra lá o mais rápido que puder. Mas será que há um lugar melhor?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O que eu quero, eu nao sei

Quando eu tinha uns 5 anos queria ser astronauta quando fosse grande. Ficava horas na janela, à noite, vendo as estrelas, a lua, me imaginando voar naquele infinito lá longe. Tinha livros sobre o sistema solar, sabia de cor o nome de todos os planetas e sua ordem, seu tamanho. Montava maquetes. As histórinhas em quadrinhos do "Astronauta", personagem do Maurício de Souza me fascinavam e eu viajava em meus pensamentos e sonhos. Inventava brincadeiras. Até que um dia me disseram que para ser astronauta não era fácil e nada do que imaginava. Desanimei. Acabou passando um tempo e desencanei dessa ideia.
Logo que entrei na 1º série, tinha uns 7 anos, queria ser professora quando crescesse. Na verdade não somente eu, mas todas as meninas da minha turma. Acho que pelo fato de a professora fazer um papel protetor, depois da mãe claro, de ficarmos grande parte do dia com ela, e pela grande função de um professor que é ensinar. Aí veio alguém que me disse: "Ser professor não é trabalho fácil no Brasil. Trabalha muito e ganha pouco". Desanimei outra vez.
Anos depois, já com 8 ou 9 anos, tinha uma grande amiga e estávamos sempre juntas, nas brincadeiras, aulas, finais de semana. Uma das coisas que adorávamos fazer era elaborar e escrever livrinhos, gibis e revistas. Sempre gostei de escrever (até hoje) e essa minha amiga então, nem se fala. Fazíamos textos belíssimos, inteligentes, divertidos. Resolvi que quando crescesse queria ser jornalista. Sim, era isso! E lá fui eu escrever, até que chegou uma amiga, tempos mais tarde, e disse: "Tu vais ser jornalista? Estás doida! Vais passar fome!" Desanimei pela terceira vez.
No ano seguinte, com 10 anos, pensando em que eu gostava e podia ser quando fosse adulta, lembrei: "Por que não medicina?". Adorava ciências, estudar o corpo humano, como ele funcionava e, também achava a profissão fantástica. Conclui que médicos eram verdadeiros heróis, pois salvavam vidas. Ninguém me contrariou afinal, medicina dá dinheiro. Mas, com 11 anos, comecei a ter aulas de informática no colégio e aí me apaixonei por computadores. Pois então, de medicina passou à Análise de Sistemas.
Anos se passaram e continuei com a última idéia. Não fui mais contrariada e, minha mãe um dia falou que o importante era gostar do que se fazia e não pensar só no dinheiro. Mais aliviada, parei um pouco de ficar pensando tanto em que eu faria da vida no futuro afinal, ainda faltava tanto tempo.
Chegando no segundo grau, as dúvidas quanto à minha futura profissão retomaram. Eram tantas opções, que dava uma agonia só de lembrar. No segundo ano do ensino médio, para ter uma idéia, eu tinha 7 opções de curso que iam de Publicidade à Odontologia.
Chegando ao terceiro e último ano do colégio, a ansiedade aumentava cada vez. E agora, José? Faltava pouco para o vestibular. Tinha que decidir naquele ano o que queria fazer pelo resto da minha vida. De tanto ler e pesquisar os cursos, acabei ficando com Odontologia. Sim, ia ser dentista!
Ok, estava tudo certo! Fiz a inscrição para o vestibular em uma universidade federal mas, pena que não me dediquei tanto aos estudos como deveria. Queria aproveitar tudo o que podia do fim do colégio. Não passei em Odonto, mas passei em uma outra universidade, em Engenharia Química, pois nesta não tinha o curso de Odonto. Não sei até hoje porque cargas d'água me matriculei nesse curso. Mas cheguei ao fim do semestre e tranquei a faculdade. Assim, voltei aos estudos e cursinho outra vez, em busca da "Odonto" mas com um grande ponto de interrogação na cabeça: "Será que é isso mesmo que eu quero?" Até que minha mãe achou um material na internet sobre o curso de Nutrição. Li e comecei a me interessar. Quem sabe era isso mesmo, então fiz a inscrição e passei no vestibular. O curso foi ótimo! Adorei tudo, porém algo me dizia que não era bem isso... Ou só isso.
Hoje, formada a três anos e meio como Nutricionista, digo que gosto muito da minha profissão, da ciência da Nutrição, de ensinar as pessoas quanto à alimentação, o que é certo e errado mas, será que estou no caminho certo? As dúvidas continuam, o ponto de interrogação permanece e não tenho certeza alguma se é isso mesmo que devo ser para o resto da vida. Já pensei em desistir e trocar de profissão, já pensei em ter profissões paralelas...

Gosto de tantas coisas, tenho muitas idéias, me imagino em várias profissões, mas certeza não há. Sinceramente, mesmo grande, ainda não tenho a menor idéia do que "quero ser quando crescer".

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Devaneios de amor

Um lindo dia, sol brilhante, céu azul, PEQUENOS PÁSSAROS voavam pelos cantos das árvores e MADAME BOVARY descansava a beira do lago divagando sobre o amor, CORAÇÕES E VIDAS, temas tão complexos. Lembrava dos tempos de criança, na escola. Sonhadora! Acreditava que HOMENS E ANJOS eram criaturas semelhantes. Aquelas MEMÓRIAS DE UMA MENINA CATÓLICA eram tão intensas que fizeram-na se emocionar. Recordava-se das aulas e dos mestres que a ensinaram tantas coisas. MRS. DALLOWAY, sua professora preferida, certa vez deu a tarefa à turma de escrever TRÊS CONTOS para a próxima aula. Era um concurso de melhores histórias. Naquela época, enviava CARTAS A UM JOVEM POETA, seu primo que foi estudar na França. Se correspondiam todos os meses. Resolveu, então, em um desses contos, colocar uma dessas cartas, a que mais se destacava entre as outras: A CARTA DE AMOR. O amor de uma adolescente de 13 anos e seu primo. Um amor inocente, juvenil. Naqueles papéis exalavam O PERFUME DE JITTERBUG, seu amado. O primeiro amor! A história, embora encantadora, ficou em segundo lugar, atrás da colega JOANA D'ARC que escreveu as travessuras de um menino, o tal TALENTOSO RIPLEY, o qual fez o maior sucesso na turma. Essa foi a primeira de muitas frustrações em sua vida.
Voltando de seus devaneios, se deparou com alguém espionando-a atrás de uma árvore. Era um rapaz, o mesmo que saiu das águas geladas do lago. "UM ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO", pensou e riu lembrando instantaneamente de uma vez, no auge de sua adolescência, nO DELTA DE VÊNUS, em um de seus encontros escondidos com o amor juvenil, alguém os espionava. Não pôde ver quem, mas parecia que era uma mulher. UMA ESPIÃ NA CASA DO AMOR, só podia ser...

**Conto feito a partir do livros que estão participando do "L.E. 'A CARTA DE AMOR'." - Comunidade Livro Errante, do orkut.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Divagações

Outro dia me perguntaram qual era meu maior sonho. Fiquei pensando, acho que não tenho exatamente sonhos, mas planos para o futuro. Estes, tenho muitos. Sonhos são tão abstratos!
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Meu coração anda meio fraco ultimamente, desiludido. Cansou de sofrer! Nunca fui namoradeira, mas tive algumas paixões que me marcaram muito e um único amor. Sou uma pessoa muito intensa, e no quesito "coração" mais ainda. Quando gosto de alguém de verdade, vivo o momento com muita emoção. Acho que é por isso que me machuco tanto também. Um pouco de impulsividade, talvez.
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Ultimamente nem sei em que acredito ou deixo de acreditar. O mundo anda tão complicado e a vida sempre cheia de problemas que me sinto um pouco cética em relação às coisas desse mundo.
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Se eu fosse me descrever em uma palavra, acho que seria "sensitiva". Me refiro em termos emocionais.
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No momento, pra eu ser feliz por completo sinto que falta algo, mas não tenho certeza do quê exatamente. Creio que se estivesse mais realizada com minha profissão estaria muito mais feliz. Ou se estivesse junto de quem amo também (as duas então nem se fala). Mas não tenho certeza.
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Esse vídeo é muito legal!! Me identifico tanto com a letra da música que parece que eu mesma a escrevi:

Vídeo "Coisas que eu sei" - Danni Carlos.