quarta-feira, 31 de março de 2010

Coração tranquilo


Passava por dias turbulentos. As coisas não iam muito bem. Parecia que estava numa espécie de inferno astral ou algo do tipo. A ansiedade acompanhava-a dia a dia. Insônia não era seu problema, porém andava tendo noites agitadas com sonhos estranhos.
Numa dessas noites entretanto, no meio da madrugada, ela recebeu uma mensagem no celular. Meio sonolenta e confusa, leu-a. Por algum motivo aquela mensagem lhe fez bem. Não só pelo que estava escrito nela, mas também por ver quem lhe havia enviado. Quanto tempo não tinha notícias dele. Que saudade!
Naquele momento, sentiu um alívio no peito, um otimismo no ar... E uma certeza de que aquela amizade não terminaria. Não importa o que acontecesse, o carinho entre eles dois era recíproco e isso era o que importava. Feliz, ela virou-se para o lado e dormiu profundamente, num sono acolhedor e tranquilo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Esquecer não é a questão

Ontem, dando uma visitada em alguns blogues na internet, me deparei com um texto da Martha Medeiros, uma escritora que admiro muito por sinal,  e que tem muito a ver com a situação que estou passando. Resolvi, então, postá-lo por aqui:

Tire-o da Cabeça
Você estava apaixonada por alguém e levou um fora. Acontece mais do que acidente de avião, desastre com romeiros e incêndio na floresta. Corações partidos é o grande drama nacional. O que fazer? Ainda não lançaram um manual de auto-ajuda que consiga eliminar nossa fossa, e dos amigos só podemos esperar uma frase, repetida à exaustão: tire esse cara da cabeça. Parece fácil. Mas alguém aí me diga: como é que se tira alguém de um lugar tão cheio de mistérios?
Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto: não gosto mais dele, não quero mais saber daquele prepotente, desapareça, um, dois e já!
Parece que funcionou. Você sai na rua para testar. Sim, você conseguiu: olhou vitrines, comeu um sorvete e folheou duas revistas sem derramar uma única lágrima. Até que começa a tocar uma música no rádio e desanda a maionese. Você não tirou coisa alguma da cabeça, ele ainda está lá, cantando baixinho pra você.
Táticas. Não ficar em casa relendo cartas e revendo fotos. Descole uma festa e produza-se para matar. Você bem que tenta, mas nada sai como o planejado. Os casais que se beijam ao seu lado são como socos no estômago. Você se sente uma retardada na pista de dança. Um carinha puxa papo com você e tudo o que ele diz é comparado com o que o seu ex diria, com o que o seu ex faria. Chamem o EccoSalva.
Livros. Um ótimo hábito, mas em vez de abstrair, você acha que tudo o que o escritor escreve é para você em particular, tudo tem semelhança com o que você está vivendo, mesmo que você esteja lendo sobre a erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia.
Viajar. Quem vai na bagagem? Ele. Você fica olhando a paisagem pela janela do ônibus e só no que pensa é onde ele estará agora, sem notar que ele está ali mesmo, preso na sua mente.
Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai.
(Martha Medeiros)

Vamos dizer que a Martha tirou as palavras da minha boca, ou melhor, do meu teclado, ao escrever isso. Esquecer não é nada simples, até porque há lembranças boas que ficarão guardadas pra sempre em nós, mas desligar-se da pessoa, isso sim parece ser o caminho mais fácil a ser feito... Porém, cada um com o seu tempo.

terça-feira, 23 de março de 2010

O valor da vida

Li um livro mês passado que me deixou um tanto pensativa. O nome dele é "As cinco pessoas que você encontra no céu" de Mitch Albom e fala sobre Eddie, um empregado da manutenção de um parque de diversões que morre no seu aniversário de 83 anos, em um acidente.
Minutos antes de sua morte, ele se dá conta que teve uma vida sem propósito, sente-se frustrado por não ter aproveitado melhor dela, por não ter feito escolhas que talvez lhe dessem mais prazer e entusiasmo. E no céu ele encontra cinco pessoas que de alguma forma estavam ligadas a ele, e assim lhes mostram significados de sua existência. Uma fábula para refletirmos o verdadeiro valor da vida.

O que mais chamou minha atenção e o ponto que me deixou pensando a respeito, é quando o autor mostra que todas as vidas estão interligadas, e podemos modificar o destino de cada uma através de pequenas atitudes. A nossa existência não só é importante pra nós mesmos, como para todas as pessoas ao nosso redor e, igualmente elas são para nós.
Quantas vezes nos sentimos fracassados e inúteis por não termos conseguido atingir nossos objetivos e sonhos, assim como o personagem da história? Isso mostra que temos muito o que aprender com cada ser que passa por nós no decorrer de nossa existência, que cada gesto, cada momento pode sim ser modificado. Mitch Albom nos dá mais uma vez uma grande lição sobre a importância da lealdade e do amor em nossas vidas.

Fiquei imaginado, logo após o término da leitura, quem poderiam ser as cinco pessoas que eu encontraria no "céu" quando eu morrer. Parece meio mórbido isso mas, é interessante analisar todas as pessoas que passam e já passaram por minha vida e o que cada uma me trouxe, às vezes sem eu nem perceber. Tantas mágoas, rancores, saudades, amores que deixamos na estrada junto delas. Quanto podemos crescer com tudo isso! Que eu saiba aproveitá-las a tempo.

E quanto ao livro, não deixem de ler.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O coração não sabe esquecer

Como pode alguém esquecer um sentimento? Essa é uma pergunta que estou a tempos tentando desvendar. As pessoas (lógicas e racionais) quando se deparam com alguém que teve uma desilusão amorosa, logo falam para animá-la: "Esquece essa pessoa. Ele(a) não te merecia." ou "Um amor se esquece com outro amor." Sei que elas fazem isso de bom grado, pois querem nos ver felizes, todavia não concordo com nada disso. Primeiro que esquecer alguém de quem a gente teve (ou ainda tem) um sentimento intenso e grandioso não é assim tão simples. Na real, é praticamente impossível. E outra, pessoas que nos marcaram, mesmo tendo nos ferido, deixam  estigmas e isso não se apaga. O que pode acontecer é amenizar as cicatrizes no decorrer do tempo e, assim vamos vivendo e conhecendo outras pessoas.
Esquecer um amor com outro amor também não funciona. Como diria Mário Quintana: "...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...". Temos que nos dar um tempo, nos conhecer e tentar tirar aprendizagens dessas desilusóes da vida para, quando estivermos bem com nós mesmos, nos abrir para novos relacionamentos.
Agora imaginem eu, com minha super memória de elefante (assim já me apelidaram várias e várias vezes pela capacidade de lembrar muitas coisas da vida com tantos detalhes) escutar de alguém pra esquecer, assim simplesmente, e partir pra outra. Até entendo que algumas pessoas conseguem essa "façanha" de já sair de um relacionamento e embarcar em outro (não, na verdade não entendo, mas admiro-as), só que cada um tem seu tempo e eu sou meio lenta nisso (beeeem lenta diga-se de passagem, mas estou tentando mudar). Só não gosto que me apressem, especialmente quando o assunto é ligado ao coração. É difícil, mas no meu tempo eu vou conseguir passar por mais essa, contudo esquecer não!  Esse tipo de coisa não é a mente quem manda, e sim o coração e dali não tem quem tire essas recordações.

domingo, 14 de março de 2010

Expectativas

Ando numa ansiedade tão grande nesses últimos dias. Uma fome incontrolável de algo que não é comida, uma sede de infinito. Expectativa demais para um futuro incerto, é assim que eu estou. Talvez pelo fato do meu aniversário estar próximo e a "casa dos 30" também, ou por saber que poderia estar encaminhada em qualquer uma das áreas da vida, seja profissional ou amorosa, mas não estou na metade do percurso de nenhuma delas ainda.

Estou numa encruzilhada quanto à minha profissão. Ando mais confusa hoje do que na época do ensino médio, onde tentava decidir qual curso fazer no vestibular. Não sei se continuo com a profissão escolhida, se uno ela a alguma outra área que me encanta ou se deixo ela de lado e vou tentar outra coisa. Sinceramente, certeza não tenho nenhuma. De nada. E no quesito "relacionamentos" não está muito diferente. Apesar do turbilhão de coisas que aconteceram ano passado e mexeram muito com minha mente (e meu coração), continuo com incógnitas que me deixam fragilizada emocionalmente.

O engraçado é que as coisas resolveram acontecer juntas (ou melhor, deixaram de acontecer). Já ouvi falar de energia cósmica e que se tu não estiver em sincronia com ela, dá  uma "pane" nos circuitos internos da vida (o que seria meu caso). Começo a acreditar no tal "Retorno de Saturno" e tenho até vontade de fazer meu mapa astral pra ver se esse é o meu caso. Mas espero que isso seja só uma fase, e como qualquer fase, passe (rápido), pois essa urgência em conseguir "me encontrar" vai me causar uma úlcera, além de me enlouquecer.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Clariceando...

"Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana". (Clarice Lispector)

Quando não há palavras pra descrever certos sentimentos, nada melhor que Clarice. Pode ser cliché mas ela, muitas vezes, fala por mim. Como nesse instante da minha vida.