quinta-feira, 13 de outubro de 2016

sobre esperar a inspiração chegar: acho chato. sou impaciente. faço café para passar o tempo. pego um livro de crônicas. leio um pouco. troco para outro de relatos. mais um, desta vez, de contos. assisto algumas séries. filmes pela metade. documentários de gastronomia. vou dar uma volta. compro frutas. e granola. esqueço de comprar café. fico brava comigo mesma. por alguns segundos. presto atenção nas pessoas ao redor. distraídas, confusas, apressadas. gente esquisita (que no fim, devem pensar o mesmo de mim). passo por uma senhora com o semblante triste. ela realmente parece muito triste. sorrio. ela sorri de volta. acho que fiz alegria em um milésimo do seu dia. fico bem (e até esqueço que esqueci de comprar café). passo por uma moça com uma menina pequena segurando pela mão. a criança sorri pra mim. veja como o universo me retribui o que lhe dou! volto pra casa feliz. e a inspiração ainda não apareceu. depois de algum tempo, já esquecida disso, no meio da elaboração de um plano nutricional, percebo - finalmente - que a inspiração estava comigo há horas, e me acompanhou todo o tempo. como companhia invisível. na minha distração nem a vi. criei o tempo todo e nem reparei. o texto se escreveu por si no decorrer do dia. repassei-o mentalmente. li nas entrelinhas. e o que senti, então fez sentido.

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