Estranhos conhecidos

Já se conheciam a tempos, mas naquele instante pareciam estranhos um ao outro. E desconhecidos, se descobriam numa ânsia de curiosidade, numa fome insaciável de prazer egoísta, e ao mesmo tempo, recíproca. Aqueles corpos, antes tão conhecidos, naquele momento eram novidades para o outro, para si mesmo; ali se descobriam, brincavam e se esbaldavam.

Não pensavam no amor - se é que ali existia, e é possível que sim - nem na amizade de ambos. Era apenas prazer puro e simples. Estavam descarregando a ansiedade do dia, esquecendo os problemas, inventando alguma emoção que ainda não haviam sentido até então. Ela, sonhadora e idealizadora de um futuro grandioso; ele, cético das coisas do mundo, apenas vivia o que a vida lhe impusera. Contudo, naquele instante não haviam regras, não havia futuro nem passado. Era o agora, um agora sem pressa de terminar, sem compromissos. Era uma liberdade que os dois tanto almejavam e ali desfrutavam, em meio  a sussurros e gemidos.

E depois que tudo terminava, olhavam-se, vestiam-se, falavam qualquer coisa. Voltavam a ser os mesmos de antes. Amigos, como sempre foram. Assim, se despediam com um "até breve", embora não sabiam  exatamente quando seria o próximo encontro deles, se logo ou muito mais tarde. Ou mesmo, não sabiam se haveria um próximo encontro igual aquele. 

Então, a vida seguia novamente sua rotina. E eles se falavam como amigos de sempre, conhecidíssimos um do outro. Como sempre foram.

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